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Ilona-Luise Reutter: Eu não tenho medo (27/10/05) Ex-mulher de executivo faz graves acusações à Volkswagen
Na entrevista Ilona-Luise diz que há dez anos tem
conhecimento do envolvimento de executivos e sindicalistas com prostitutas
pagas pela empresa, mas que tudo piorou para sua familia, quando Schuster foi transferido
para a filial checa. Ela continuou morando na Alemanha, por causa
da educação dos filhos e da violência existente
no País Checo. O antecessor de seu ex-marido foi assassinado em um
crime até hoje insolúvel. Schuster é o único
dos envolvidos que não tem origem operária, sendo filho de
classe média alta. "Penso que o ser humano torna-se solitário quando,
apesar de dinheiro e poder, não está sob a luz dos refletores",
afirma Ilona-Luise, para explicar a metamorfose de Schuster. Revista
Emma: O que você pensou, quando tudo surgiu na imprensa ? Ilona-Luise: É deprimente quando se vê como
Gebauer, sob orientação de Dr. Hartz ou seguramente outros,
precisava trazer de avião mulheres de todos os bordéis do
mundo, para fazer valer o Conselho de Fábrica e novas decisões
sobre acordos salariais. Trazer coisas, no caso mulheres, para adoçar
a vida dos membros do conselho, e eles caírem na armadilha. Pendurado
e prisioneiro! Quem uma vez pisa neste terreno, fica à mercê
do outro. O outro sabe sobre ele algo e pode entregá-lo a quem quiser.
Isso é o Método Volkswagen. Eu duvido que tenha mudado. Eu
não quero afirmar que o Sr. Osterloh (Red: atual sucessor de Klaus
Volkert no conselho) se deixe comprar, como se deixou o sr. Volkert, mas nós
ainda não tomamos conhecimento se continua ou não existindo
uma Josélia B de Dr. Hartz ou uma Adriana B. Revista Emma: Você quer dizer que estas mulheres
ainda recebem dinheiro da Volks para que fiquem caladas? Revista Emma: Você sabia antes do sistema interno
de prostituição da empresa? Revista Emma: Seu marido contou para você ? Ilone-Louise: Sim. Eu penso que ele não se vendeu
no anos iniciais. Com seu trabalho ele era co-responsável pela política
salarial, por exemplo. Através disso ele recebeu uma visão
de todo o sistema. Eu acho que a gente cai dentro, torna-se corrupto e, em
certo momento, ultrapassa o limite. A gente dá o passo e pensa que
ninguém vai notar, seguindo o lema: Os outros também estão
metidos cá dentro - o que já pode acontecer? Revista Emma: Como se pode imaginar a própria vida:
Uma mulher sabe que o marido trabalha em uma empresa
de baixo-meretrício? Iline-Louise: A gente tem a esperança e ilusão
de que o próprio marido não está metido nisso. Você
acredita também nesta pessoa, você a ama e tem esperança.
Eu acho que os outros maridos nunca contaram que tinham uma vida dupla.
Mas eu e meu marido tínhamos um modo muito aberto conosco, porque
tínhamos um relacionamento à distância. Para nós
era claro que, se nós errássemos uma vez, iríamos explicar
ao outro e conversar sobre isso abertamente. Quando descobri que lá
(red: na empresa) os executivos possuíam uma vida dupla ou uma vida
de bordel, chegou um momento em que não pude mais conciliar isso
com minha consciência e meu modo de vida. Revista Emma: Você teve ciúmes? Ilona-Louise: Sim, isso também. Mas não tive
ciúmes das prostitutas, pois isso são momentos passageiros.
Ciúme mesmo tive quando percebi que ele também escolhia outras
companheiras. Isso dói muito, naturalmente. Revista Emma: Você tem contato com esposas de outros
executivos? Ilone-Louise: Não mais. Cortei os contatos depois
da última viagem à Itália, ao lago Garda. Não
foi nada relevante, era apenas uma viagem da empresa com as familias, para
se conhecerem melhor. Acontece que eu tinha conhecimento dos bastidores,
eu sabia muito. E eu não podia sentar simplesmente com outras mulheres
que ignoravam, eram ingênuas ou na realidade nada sabiam do jogo que
era jogado. Ou eram compradas. Lá não se podia ter uma conversa
normal. Dr. Hartz observava tudo. Quando se conversava mais intensivamente
com alguém, logo ele percebia. Então a conversa era interrompida
ou eram feitos gracejos. A gente se pergunta o que aquilo significava, apenas
ser um accessório para o marido e aparentar uma vida de familia?
Pela carreira de meu marido eu não me vendo. É realmente uma
dupla moral. Revista Emma: Existem fotos e entrevistas nos jornais
da amante de Peter Hartz... Ilona-Louise: Senhor Hartz terá com certeza habilidade, para fazer sua esposa acreditar que não foi bem assim. Senhora Hartz é o tipo de esposa que faz aquilo que o marido diz. Ela apoiou a carreira dele, ela recebeu favorecimentos e se ela pode viver de bem com isso, acreditar que tudo isso que a imprensa diz é mentira, então melhor para ela. Quando, contudo, ela começar a desconfiar e ir atrás, aí vai ser difícil. Revista Emma: Não havia uma única esposa
sequer, com quem você pudesse conversar abertamente? Ilonas-Louise: Existiu a senhora Gebauer. Ela divorciou-se
anos atrás. Eu penso que ela descobriu o que acontecia nos bastidores
e não conseguiu mais conviver com isso. Gostei também da senhora
Volkert. Eu não posso imaginar que ela não sabia de nada. Revista Emma: Seu marido conversava com você sobre
os negócios? Ilona-Louise: Eu sabia que ele era ativo na Índia
e Angola. Os negócios na Índia fui eu quem incentivou, porque
gosto muito do país. Detalhes da Volkswagen ele naturalmente não
me contava. Revista Emma: Os dois milhões de comissões
que ele recebeu do governador de uma província indiana, para que
a fábrica fôsse construída lá, você nada
sabia? Ilona-Louise: Não. Esses dois milhões de euros
foram seguramente para investimentos iniciais e não propina. Qual
governo paga oficialmente propina para que VW, BMW vá para lá?
Isso é ridículo. Revista Emma: Mas foi a própria Volkswagen quem
colocou em marcha o processo contra o seu marido. Se a VW quisesse que seu
marido ficasse calado, seria um péssimo caminho propriamente, levá-lo
à justiça. Ilona-Louise: A Volkswagen quer com isso instituir exemplo:
Como é procedido com alguém, que não mais age como
ela quer. Ele sempre seguiu ordens. Ele nunca poderia de forma autônoma
ir para a Índia e mandar construir uma fábrica no país.
A VW é quase uma estatal. Imensas somas de dinheiro público
fluem para a empresa e ex-funcionários da Stasi ainda têm um
papel nesta companhia. Existem poderes em jogo, resultantes de décadas
de ligações, difíceis de compreender para uma pessoa
normal. A Volkswagen tem uma história própria. Esse duelo
de forças, esse jardim da infância de executivos que sentam
na Volkswagen é para mim lamentável e horroroso. Revista Emma: Como você faz com os dois filhos? Consegue deixá-los fora disso? Ilona-Louise: Não e nem quero isso também.
Eu procedo de forma muito aberta e sincera com minhas crianças. Fui
na maior parte do tempo a única pessoa de relação para
eles, mas sei que o pai é importante para os dois. Da mesma forma
que os dois agora, idem, são importantes para o pai. Eu esclareci
as crianças, quando o escândalo surgiu na imprensa, que o pai
deles foi indiciado. Tudo, naturalmente, de forma adequada para crianças.
O menor tem seis anos e não compreende ainda o que seja propina,
mas falei de forma aberta e disse que pode acontecer de o pai ir para a
prisão. Revista Emma: Existe uma ordem de prisão contra
seu marido? Ele está escondido? Ilona-Louise: Não, ele simplesmente tem medo do poder
da Volkswagen, da mesma forma que o sr. Gebauer. Como seria simples, se
ele houvesse morrido em um acidente de carro. Os dois têm medo de
que algo aconteça, porque possuem informações privilegiadas.
Meu marido desfez o apartamento em Praga e tem uma apartamento agora no sul
da Alemanha, não muito longe, para continuar mantendo contato com as
crianças. Ele estima que a Volkswagen não saiba exatamente onde
mora agora. Meu marido é altamente inteligente, tem diversos títulos,
escreveu livros e tem conhecimentos de economia; isso tudo a Volkswagen
quer destruir maciçamente. A Volkswagen escreveu cartas a seus antigos
parceiros comerciais e quer dificultar que ele tenha um novo início. Revista Emma: Você diz que a Volkswagen tem um serviço
secreto próprio, o Werkschutz (Proteção da empresa)?
Ilona-Louise: Desde o início do escândalo meu
marido teve o carro diversas vezes arrombado. A casa em Praga foi arrombada
também. Fotos que ele possuía e mostravam sr. Hartz com determinadas
mulheres desapareceram. Tanto faz o que meu marido fez e quanto criminoso
ele seja, é muito decente, que ele ainda não pôs coisas
sobre a mesa, que realmente teriam graves consequências, também
para a Volkswagen. Tudo seria um imensurável prejuízo para
a imagem, de tal forma que ninguém na Volkswagen conseguiria reverter.
Recista Emma: Você diz que a aranha de toda a teia
das atividades de prostituição era Sr. Gebauer? Ilona-Louise: Sim. Sr. Gebauer foi, durante 15 anos, da "Interne
Revision" (Red: Uma espécie de auditoria interna permanente). Ele
não pode, de forma nenhuma, ter tido a intenção de aproveitar-se
ou abrir contas, pois ele, como auditor interno, sabia bem o que mais tarde
o esperaria. Ele recebeu ordens de Peter Hartz ou outros superiores. Revista Emma: E o presidente do Conselho de Empresa?
Ilona-Louise: Exatamente na Volkswagen o Conselho de Empresa
é muito poderoso. Naturalmente que qualquer empresa, tanto faz o
tamanho, tenta convencer os membros do conselho para seus objetivos, para
chegar a um consenso. Mas manter o humor do conselho ou comprá-lo
são duas coisas diferentes. Revista Emma: Mas os trabalhadores não estão
verdadeiramente todos com raiva de Volkert.. Ilona-Louise:
Ele é igualmente um homem do povo, o tipo cúmplice, que pode
se permitir isso, mesmo que tenha renunciado seu posto. É preciso
ver que ele também estava envolvido nas negociações
para a semana de quatro dias, o que evitou demissões em massa. E agora
a Volkswagen está novamente diante de demissões em massa. E
o escândalo chega agora, claro, como sob encomenda... Revista Emma: Você tem propriamente medo? Ilona-Louise:
Eu fui muito advertida pelos advogados, mas não tenho medo. A Volkswagen
não vai ousar atacar uma mãe de duas crianças. Aí
ocorreria uma solidariedade em massa entre as mulheres, entre as de mesmo
credo. Veja ainda: Garota checa fala sobre noites
com executivos e sindicalistas da Volkswagen Peter Hartz, mais famoso
executivo alemão e sua queda por brasileiras Página principal com
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