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Vôo 3054: Periódicos confirmam ABKnet (10/08/2007)
As edições online dos periódicos brasileiros Veja e Folha de S. Paulo
confirmaram hoje nossa notícia de ontem (leia nota abaixo -
ABKnet News 09/08/07)) de que os pilotos da aeronave do Vôo
3054 acionaram corretamente os manetes no pouso anterior em Porto
Alegre. O fato, contudo, não leva automaticamente à
conclusão, como insinua a revista Veja no seu artigo, que a
tripulação agiu de forma errada no pouso em Congonhas. O
procedimento apenas comprova que alguma coisa errada aconteceu no
último pouso do A320, o que também pode ter sido uma
falha nos equipamentos do avião (veja notas abaixo).
Especialistas e pilotos de diversos países têm declarado constantemente
que uma pane eletrônica ou mesmo mecânica (ao
contrário do que afirma a Airbus), além de outros fatores, podem igualmente ter causado a
tragédia. Chegar à origem do acidente é um
trabalho que depende muito da competência dos responsáveis
pela investigação.
Vôo 3054 2a
caixa-preta revela: Piloto usou manetes corretamente ao
aterrissar em PA
(09/08/2007)
As
reclamações da Airbus e até do governo
francês contra a revelação do
conteúdo das gravações da primeira
caixa-preta do vôo 3054, acidentado em Congonhas, pode ter
respaldo legal. É inegável,
entretanto, que a divulgação tem
contribuído para que a discussão sobre a
origem do defeito que afetou a aeronave naquele momento
impeça que os possuidores e conhecedores dos segredos,
ininteligíveis para leigos, dos dados das
gravações sejam usados de forma que a
investigação seja influenciada por quem tiver
interesse nos seus resultados, no caso o fabricante, a empresa
aérea ou as autoridades.
É dado estatístico que 60% dos acidentes aéreos apontam em suas investigações para "falha humana" como origem das tragédias. Um número muito alto e desproporcional cientificamente, levando-se em conta os erros e falhas a que máquinas voadoras modernas apresentam no dia-a-dia das divisões de manutenção de empresas aéreas. O caso específico do acidente em Congonhas poderá instituir exemplo de como a opinião pública não mais aceita resultados enlatados e, com a ajuda de meios modernos como a internet e seus canais independentes, produz fatos e rebate pareceres que não traduzam idoneidade e seriedade no seu conteúdo. É neste sentido e com este objetivo que a ABKnet revela com exclusividade um fato que, se não responde à pergunta, pelo menos traz mais um componente à luz do dia, para que os especialistas e responsáveis pelo processo de perícia e investigação do acidente não esqueçam de levar em consideração quando finalmente divulgarem por obrigação o relatório final conclusivo de seu trabalho: Um fonte fidedígna nos revelou que teve acesso aos dados do FDR (Gravador dos Dados de Vôo), a segunda caixa-preta do avião da TAM acidentado, e assegurou que no pouso em Porto Alegre com o mesmo avião, mesma tripulação e mesmo reversor direito travado, horas antes da tragédia, os dois manetes foram usados corretamente e a posição idle (veja notas abaixo) foi acionada. Com isso agiram de acordo com o procedimento indicado pela Airbus e TAM, segundo o manual de procedimento operacional para o caso de um reversor inoperante. em vigor no dia do acidente e que o ABKnet coloca online para visualização. Ao contrário da VCR, caixa-preta de vozes, que grava sonoramente o que se passa na cabine de comando do avião na última meia hora de vôo, o FDR pode gravar digitalmente até 25 horas anteriores. Antes de teses especulativas, a revelação quer apenas contribuir com mais um dado, dado importante, para que as partes envolvidas tenham consciência de que a opinião pública está acompanhando o caso de perto, talvez mais perto que ela desejasse. E por fim seja levado em conta que se, como foi insinuado, a causa do acidente foi falha humana, por que não foi igualmente divulgado que horas antes, no mesmo avião, houve "total acerto humano"? O que levou o manete em Congonhas a ficar na posição errada? Se é que ele ficou? Vôo 3054: Airbus, TAM e mortos que não podem falar (06/08/2007) Abalada por
problemas duradouros que afetam seu principal e megalômano
projeto, o gigantesco Airbus A380, que possui todo o seu cronograma
atrasado, entregas adiadas ou estornadas pelos compradores, problemas
técnicos, demissões e venda de
subsidiárias para superar a crise, o acidente (mais um) com
o A320 em Congonhas é tudo que o grupo EADS e sua
empresa Airbus não precisavam no momento. Principalmente
quando, além do dinheiro em jogo, o sistema e
eficiência de seus
aviões podem ser questionados,
gerando receio nas futuras encomendas de seus clientes, as operadoras
aéreas.
A tentativa fracassada de boa parte da imprensa brasileira de politizar a tragédia, atribuindo como causas pista molhada, ranhuras e um aeroporto impróprio, no sentido de atingir um governo inegavelmente incompetente para administrar a crise aérea, originada em governos anteriores, deixou de lado uma boa oportunidade de desvendar muitas nuances do acidente e, aí sim, resvalar naturalmente para o aspecto político que rege um país dominado pelo capitalismo selvagem e a consequente relação perigosa de incesto entre autoridades e empresas, neste caso aéreas. Era hora de verificar as informações técnicas, checá-las, antes de divulgar e analisar possibilidades que compõem tantas hipóteses sobre algo complexo como a aparelhagem de um avião moderno. Servindo ao mesmo tempo como auxílio a quem investiga. Ao perceber que ao rumo dos acontecimentos outros ventos soprariam, a Airbus mudou sua tática, logo retirando sua nota oficial sobre o acidente do site e, ao invés de aguardar o fim das investigações, como afirmava na dita nota, partiu para o ataque, divulgando comunicados como vereditos, procurando influenciar, através de efeitos psicológicos talvez, e praticando a eterna máxima de fabricantes e empresas aéreas: Na dúvida, culpado são os mortos. Como previsto (veja nota abaixo, ABKnet News- 20/07/07), notas, comunicados de empresas e declarações não revelam o que acontece nos bastidores após acontecimentos deste porte. Pior que isso, os possuidores de dados que revelem deficiências e falhas, no caso Airbus e TAM, podem preferir o caminho da proteção mútua, mesmo que isso possa significar, em certos aspectos, manipulação, omissão proposital, desvio de foco. Não necessariamente sempre e não necessariamente nesta ordem. Cabe à investigação a tarefa de minuciosamente chegar às causas e origens, conseguindo montar o quebra-cabeça do acidente e a partir disso exigir as plantas e documentos que precisa às empresas, sabendo concretamente, através da montagem do quebra-cabeça, o que realmente interessa. . Primeiro comunicado da Airbus revela apenas confusão O primeiro comunicado emitido pela Airbus, seja uma tentativa primeira de se defender, seja realmente com a intenção de informar, mostra-se claramente desnecessário e até confuso. O principal do comunicado resume-se a dois pontos: A - Durante o “flare” (procedimento de aproximação da pista durante o pouso, quando começa a frenagem), selecione todos os manetes na posição IDLE (marcha lenta) B - Para o uso dos reversos no pouso com um deles inoperante, consulte revisões dos manuais do fabricante . No ponto "A" a empresa foi precisa o suficiente para não ter que aconselhar recorrer aos seus manuais, como faz no ponto "B". Consultando-se os manuais, contudo, constata-se que selecionar todos os manetes na posição "idle" não é exatamente o que está indicado. É preciso esclarecer antes que, pousar sem reversores é possivel e seu uso até proibido em alguns aeroportos (veja nota abaixo - ABKnet News - 20/07/07) mas, pista molhada sem spoilers é uma temeridade e parar nos limites de qualquer pista sem eles, praticamente impossivel. Segundo o manual, a posição correta dos manetes para funcionamento dos freios no pouso, para entrada em atividade dos spoilers são duas, como no trecho transcrito do próprio manual em inglês: 1- Thrustlevers at or near idle. ou 2- at least one thrustlevers in reverse and other at or near idle. O procedimento 1 significa colocar os manetes (as duas) em posição PRÓXIMA a idle (marcha lenta) e o procedimento 2 significa (colocar) um manete em posição PRÓXIMA de idle e outra na posição de reverso (acionando o reversor). Portanto já neste ponto o comunicado foi impreciso e omitiu a orientação correta de seus manuais. Um comportamento curioso para a intenção da nota. A posição "PRÓXIMA" referida é também ilustrada no manual (veja Quadro 1, abaixo) como sendo até 20° da posição de marcha lenta (idle). Significa que, entre aceleração (climbe) e marcha lenta (idle) o piloto tem um tolerância de 80% para o caso de cometer qualquer erro de posicionamento, já que a aceleração fica a 25° da posição idle, segundo o manual de manutenção do A320. O ponto "B" da nota é antes de tudo enigmático, embora seja o mais importante por se tratar exatamente do caso específico da aeronave acidentada. As tais revisões a que o ponto se refere são feitas posteriormente à edição dos manuais, para reparar erros ou avisar melhoramentos. No manual nós não encontramos o ponto em questão de forma que definitivamente pudesse esclarecer a situação de um reversor inoperante. Por que a omissão, se a nota foi para esclarecer e orientar? A resposta seria porque existem diversos procedimentos para o mesmo caso? ou que a própria fabricante não sabe? Em vez de informar o certo, a Airbus tornou ainda mais inseguros quem trata do assunto: As tripulações de seus aviões. A referência a "revisões dos manuais" já demonstra que houve mudanças e prova que alguma coisa estava deficiente, no manual ou nos manetes. ![]() Manetes são acionados juntos Os manetes que acionam os freios e reversores são intrumentos usados em todo vôo por um piloto. Eles são acionados manualmente no A320. Em aeroportos onde no pouso o uso de reversores é proibido (veja nota abaixo - 20/07/07) elas ficam na posição idle ou como acima descrito, no manual da Airbus. Usar os manetes é algo tão rotineiro para pilotos quanto pisar na embreagem para passar a marcha de um automóvel. A geometria dos manetes também é de tal forma que elas quase não podem ser acionadas de forma separada (veja foto detalhe abaixo). Exatamente por este motivo reversores defeituosos são bloqueados (pinados), para evitar problemas quando o piloto acionar as alavancas até a posição de reverso, indo além da posição idle. Caixa-preta revela acionamento de manetes O conteúdo da caixa-preta com as vozes da cabina revela que o procedimento dos pilotos foi correto no que se refere ao acionamento das manetes. A gravação mostra a checagem, o comando para tal e o sinal acústico do movimento das alavancas. A segunda caixa-preta que contém a garavação digital dos procedimentos no pouso, mesmo que mostre o contrário, ou seja, que o piloto deixou uma das manetes na posição de aceleração, não pode excluir um erro no sistema que tenha dado o comando errado à turbina direita do avião. Por que? Porque antes disso é necessário esclarecer pontos além do lado mecânico do problema. Um erro no sistema de comandos pode ser interpretado errado no acionamento de um reversor pinado e transmitir isso ao à turbina, acelerando-a. O acidente de Varsóvia (veja nota abaixo - 21/07/07) já mostrou que a configuração de softwares e sensores do Airbus já apresentou erros fatais. O caso de Taipeh também assemelhado ao de Congonhas, não implica compulsoriamente a erro do piloto no último caso, mas sim que alguma coisa não funciona bem no A320 ou nos seus manuais, quem sabe as duas coisas ao mesmo tempo. A caixa-preta grava procedimentos sobre os quais o piloto não possui poderes de interferência. É do comportamneto de Autothrust (vigilância eletrônica que comanda aceleração do avião) neste momento, que são enviadas as informações gravadas. Além disso, fica a interrogação se o defeito no reversor já não teria sido provocado por alguma outra coisa errada no sistema ou se, durante a pinagem, um erro foi cometido. Último comunicado também é duvidoso O último comunicado da Airbus, emitido na última sexta-feira, dia 3, revela mais uma vez precipitação do fabricante. Ignorando desta vez totalmente o princípio autoproclamado de esperar a conclusão das investigações, a empresa, agora de forma inédita na história da aviação civil, declara que não houve falha mecânica no avião do vôo 3054 e aponta para erro da tripulação. Segundo a companhia, as autoridades brasileiras aprovaram o comunicado. Pergunta-se se a aparelhagem dos destroços já foram analisadas e periciadas para corroborar tal afirmação. Somente este tipo de perícia pode com certeza apontar que não ter havido falha mecânica. Os dados da caixas-preta servem para dar pistas mas não como diagnósticos definitivos, porque possuem resultados do comportamento do avião e da tripulação mas não pode ser comparado à investigação humana do acidente. E enquanto não houver isso, os pilotos são inocentes. O fato lembra o caso de um Airbus A310, da empresa russa S7 que, em 9 de julho de 2006, após pousar normalmente no aeroporto russo de Irkutsk, teve uma das turbinas repentinamente acelerada até chocar-se com prédios laterais e incendiar, provocando a morte de 125 pessoas, entre elas os pilotos. A pista estava molhada e igualmente, como no airbus 320 de Congonhas, o reversor esquerdo estava travado. A caixa-preta revelou os procedimentos corretos da tripulação mas acusou a volta da manete à posição de aceleração o que teria ocasionado a tragédia. Na falta de explicação para o caso, o resultado preliminar da investigação chegou ao absurdo de sugerir que a manga do uniforme do piloto teria "enganchado" na manete e provocado a aceleração. Outro caso, desta vez sem vítmas, com o mesmo tipo A320, em Phoenix, nos EUA, ocorreu no dia 22 de agosto de 2002 com o vôo 794 da America West Airlines. O avião possuía o reversor esquerdo pinado e, após o pouso, também houve aceleração da turbina bloqueada. A perda foi total, com o avião destruído. Embora o piloto tenha negado ter movido a manete para a posição de aceleração, foi essa a conclusão da investigação. Precedente de defeito no computador de controle de vôo Pelo menos uma perigosa falha no sistema de computadores do A320 já gerou um comunicado mundial das autoridades francesas do DGAC (Direção Geral de Aviação Civil) e um boletim de serviço (A320-27-1149) da Airbus em janeiro de 2005. O ABKnet coloca o arquivo (ingês) em formato PDF online para consultas. O problema ocasionaria a falha dos Spoilers e do computador de bordo ELAC1, responsável pelo controle de vôo. Portanto a pista para esclarecer o acidente de Congonhas pode também estar nos componentes eletrônicos da máquina acidentada. Airbus e TAM fecham negócio após acidente Embora tenha sido levantada a dúvida sobre o comprimento da pista de Congonhas, a verdade é que aviões do tipo A320 pousam ou pousaram em pistas semelhantes, e até mais curtas, em países cujos parâmetros de segurança são rigorosíssimos como a Alemanha. É o caso do aeroporto da cidade de Saarbrücken (1974 e 2000 m), Berlim Tempelhof (1947 e 1695 m) e Altenburg/Nobitz (1975 e 1975 m). O problema principal em Congonhas e outros aeroportos brasileiros é a corrupção que permite alvarás de construção nas imediações de aeroportos, colocando em risco a vida de quem voa e de quem está em terra. Com área de escape as consequências do desastre poderiam ter sido outras. No mínimo as chances de sobreviventes seriam maiores. O tipo de problema, entretanto, sempre resultou em tragédias e perdas parciais ou totais dos aviões, independente de onde eles pararam ou se chocaram. Enquanto a tragédia será encaminhada para o esquecimento, em detrimentos dos mortos e suas familias, as empresas envolvidas parecem continuar incólumes e de mãos dadas. A TAM, de forma estranha para uma empresa que perde um aparelho e provoca a morte de mais de 200 pessoas, sequer questiona se as aeronaves da Airbus, diante de tantos acidentes já provocados, são as ideais para seus pilotos. Esta semana que passou a empresa assinou um memorando de encomenda de 22 Airbus do tipo A350 e 4 do tipo A330. Um negócio no mínimo esquisito para a situação. Será realmente a velha regra (?): Uma mão lava a outra e os mortos já não podem falar. Vôo 3054: Acidente de Congonhas tem precedente (21/07/2007) ![]() A320 no acidente de Varsóvia: Semelhanças com vôo 3054 Um
acidente com 2 mortos e 68 feridos, ocorrido em 1993, em
Varsóvia, Polônia, com uma aeronave Airbus A320,
apresentou idênticas características do ocorrido
no
vôo 3054 da TAM, em S. Paulo, na última
terça-feira.
O Vôo da Lufthansa LH-2904, com 70 pessoas a bordo, partiu de Frankfurt com destino à capital polonesa e aterrissagem pontual prevista e liberada pela torre de controle às 15:28 hs locais de 14 de setembro de 1993. Chovia muito em Varsóvia e a tripulação recebeu estas informações. Uma camada de 3 cm d'água cobria a pista, portanto em condições iguais, senão piores que a do acidente de Congonhas. Fortes ventos fizeram o avião tocar o solo da pista 11 do aeroporto na marca dos 770 metros, o que normalmente não seria problema para um comprimento total da pista de 2 800 metros. Restavam 2 030 metros para a manobra final de pouso. Conforme a perícia do acidente, o avião, entretanto, continuou com velocidade excessiva e descrevendo uma curva (outra semelhança com Congonhas) até sair completamente da pista e chocar-se com uma barreira de proteção, incendiando-se em seguida. Um piloto e um passageiro morreram, os demais foram salvos, feridos, antes que as chamas destruíssem o avião. Causa: Software ignorou contato com o solo O resultado da investigações revelou que, com a aquaplanagem provocada pela forte chuva na pista, os sensores e software responsáveis pelos freios simplesmente ignoraram que o avião já havia tocado o solo. Para eles as rodas permaneciam como se o avião continuasse no ar e, somente na marca dos 1 500 metros da pista, freios e reversores foram liberados pela eletrônica. Os 1 300 metros restantes foram insuficientes para os pilotos conseguirem efetuar a manobra de paralisar a máquina. Comparando os dois casos, somente 100 metros após o fim da pista, o sistema de freios do vôo 3054 entraria em funcionamento. Pelos cálculos, quando na ocasião do pouso o Airbus da TAM tocou o solo, na marca dos 500 metros, em uma pista de 1900 metros de extensão, nenhum espaço restou para a tripulação dominar a aeronave, o que possivelmente poderia ter também ocorrido com uma pista mais longa, como mostra o exemplo de Varsóvia. A diferença é que as dimensões e o número de mortos da catástrofe poderiam ter sido menores em um aeroporto com outras características como as de Congonhas. Após o acidente e conclusão das investigações, a companhia Airbus procedeu algumas mudanças na programação de software do chamado Fly-by-Wire-System, responsável pelo procedimento, diminuindo de 12 para 2 toneladas a carga ou pressão sobre as rodas para que o sensores e programas liberem o acionamento da frenagem através dos reversores e do sistema de freios aerodinâmicos das asas, tornando-os independentes da rotação das rodas no trem de pouso. O ativamento do sistema de freios, contudo, continua unicamente acoplado, na programação, à rotação das rodas, o que não afastou o perigo de erros em situações de aquaplanagem ou derrapamentos. Vôo 3054: Airbus
não especula mas aposta na política
(20/07/2007)
Acionamento de Reversores (meio do circulo): Instrumento perigoso A nota
divulgada pela empresa Airbus, fabricante do avião
A320
acidentado na última terça-feira em Congonhas,
São
Paulo, sublinha considerar inapropriada qualquer
especulação da companhia sobre as causas da
tragédia até que sejam concluídos os
trabalhos de
perícia em curso.
Além de especificar dados técnicos sobre máquina e modelo em questão e solidarizar-se com os parentes e amigos das vítimas, a empresa confirma a ida de cinco técnicos para ajudar nas investigações no Brasil, como é prática regulada por convenções internacionais, segundo ainda a nota, que afirma também ser de inteira responsabilidade das autoridades locais os trabalhos de investigação. Na verdade, uma comissão formada por especialistas da empresa tem se reunido e analisado todas as informações que têm chegado sobre o assunto. Embora evite especulações em sua nota, há indícios de haver na empresa um clima que especula sobretudo na politização da tragédia no Brasil. Claro que os fatos e resultados das investigações é que serão decisivos, independentes da vontade de cada um, mas é preciso ser cuidadoso e levar em conta todas as possibilidades, pois escombros de aviões aliados a incompetência na perícia podem dar margem a todo tipo de manipulação para beneficiar qualquer parte dos envolvidos (menos os mortos), já que nestas situações cada um quer salvar sua pele, principalmente por responsabilidades financeiras. Reversores já provocaram acidentes Assim não estranha que logo após a notícia sobre problemas nos reversores do avião serem divulgadas no Brasil, sites noticiosos na Europa já discerniam sobre a tese e explicavam funcionamento e necessidade do instrumento, minimizando teoricamente o seu não funcionamento como causa do desastre. Realmente reversores servem apenas como auxílio no pouso e, mesmo em uma pista molhada e de dois quilômetros como a de Congonhas, eles não são imprescindíveis. Os instrumentos, acionados manualmente, ficam entre as duas poltronas dos pilotos, diante do painel de comandos e se assemelham a marchas de câmbio de um automóvel (veja foto). A função é reverter o sentido do ar nas turbinas, desviando-o para baixo ou para a frente e contribuindo assim para reduzir mais rapidamente a velocidade no solo. Os próprios cálculos das empresas aéreas estipulam, contudo, uma redução de no máximo 15% do percurso necessário para o avião parar sem o seu uso. Por este motivo, em muitos aeroportos do mundo, a utilização chega a ser proibida ou limitada, como o de Sydney, na Austrália, principalmente por razões de poluição sonora. Também é verdade que a chamada lista MEL (Minimum Equipament List) da Airbus, que indica a aparelhagem desconectada em um avião, fixa o prazo de 10 dias de tolerância para reparos. Mas é preciso levar em conta que, mesmo funcionando normalmente, eles já provocaram acidentes. Foi um reversor que inesperadamente entrou em funcionamento em pleno vôo e provocou a queda do Boeing B767-300 "Mozart" da Lauda Air, em 1991, 20 minutos após levantar vôo de Bangkok com destino a Viena, provocando a morte de 233 pessoas. O manual da Boeing previa esta ocorrência e a considerava inofensiva, orientando os pilotos a simplesmente não interferir nos comandos nestes casos. O ex-piloto de Fórmula 1, Niki Lauda, ex-proprietário da companhia, relata em detalhes sobre o acidente em sua autobiografia. A Lauda Air é hoje operada pela Austrian Airlines. Portanto, antes de subestimar (ou não) as propriedades de reversores, é preciso sobretudo ter cuidado com o seu uso, mesmo quando não se quer acioná-los, como foi o caso do "Mozart". Seria o problema no reversor direito da aeronave indício de que algo pior estaria com defeito na complexa eletrônica da aparelhagem que monitora, por exemplo, os sistemas hidráulicos? Algo não previsto no manual? Ou previsto de forma errônea, como o caso da Boeing? Freios podem também ter sido causa Segundo relatos e imagens do pouso do avião da TAM, em Congonhas, há margem para palpites técnicos que devem ser considerados, no mínimo para efeito de exclusão pelos responsáveis encarregados da perícia. Assim fica também aberta a possibilidade de todo o mecanismo de freios do avião não ter funcionado durante a aterrissagem. Como último artíficio para tentar a brecagem, restou o uso do reversor sem defeito. Isso teria causado o desequilíbrio aerodinâmico da máquina, forçando-a a descrever a curva para um lado, como ocorreu na tragédia. O experiente piloto do vôo, ao perceber a situação, teria ainda tentado, como última e inútil solução, arremeter a aeronave. Não teria sido a derrapagem ocorrida dias antes, com a mesma máquina e o mesmo piloto, na verdade uma falha nos freios? Os casos expostos, antes de especulação, como a Airbus com certeza sugere, são fatos para averiguar e não apenas chegar à origem das falhas, mas evitar catástrofes futuras. A análise da caixa-preta poderá com certeza trazer dados mais confiáveis sobre as possiveis causas do acidente mas, apesar disso, é preciso preciso levar em conta ainda que a soma de muitos fatores que hoje pairam na vida aérea do Brasil podem ter decididamente contribuído para a fatalidade. Um deles, sem dúvidas, a localização do aeroporto em uma zona urbana. O que não se pode, e isso inclui todos os lados envolvidos, inclusive o político, é querer tirar vantagens, sejam lá de que teor, de tamanha tragédia. Isso vale para todos. Vôo 3054: Uma dor
insuperável (18/07/2007)
Tem causado
comoção nesta quarta-feira na Europa as imagens
que a toda hora chegam aos noticiários de TV sobre a
tragédia do acidente com o Airbus A-320 do vôo
3054 da TAM, no aeroporto de Congonhas, em São
Paulo. Cenas do fogo e o desespero dos familiares das
vítimas tomam o bloco principal dos telejornais.
Acompanhando os noticiários é tematizada, nos principais canais, a situação caótica bem como as deficiências de infra-estrutura que imperam há um bom tempo no espaço aéreo e aeroportos brasileiros. Nesta hora de luto e consternação absoluta é prudente o silêncio de respeito às vítimas e suas familias sem, contudo, deixar em nenhum instante de reforçar um pedido clemente de todos os brasileiros para que, sem distinção de cargo ou posição, todos os responsáveis diretos ou indiretos por problemas desta ordem (lembremos que a aviação brasileira não é o único setor com tamanhos problemas) tratem de levar a sério a vida do próximo no país. Isso começa deixando de lado os interesses pessoais ou de grupos, as intrigas políticas, as acusações inócuas e a mesquinhez. Países de potenciais muito menores que o nosso conseguiram, com seriedade no trato dos seus problemas, tornar-se para o mundo exemplos de solidariedade coletiva e de avanço técnico e social. Para isso não é necessário reinventar a roda e sim honrar os princípios básicos que garantem o respeito à dignidade humana. E o respeito à vida é um dos fundamentais pontos da dignidade .humana, ponto intocável e inalienável. Para tudo existe uma hora zero. O povo brasileiro, dentro e fora do Brasil, pleiteia encarecidamente que esta hora tenha chegado e que todos os esforços se unam para, sem poder mudar o passado, com vontade e força mudar o futuro, em memória de nossos mortos inocentes. |
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