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Subornos da Siemens envolvem o
Brasil16/11/2007 ![]() Somente de 2000 a 2006, de acordo com auditoria feita pela própria Siemens, 1,3 bilhão de euros foram utilizados em pagamentos de subornos em dezenas de países. As propinas pagas pela companhia abrangem quase todos os segmentos, de turbinas para hidrelétricas a equipamentos e serviços de telecomunicação. O escândalo derrubou do posto o ex-presidente da companhia, Klaus Kleinfeld, e dezenas de outros executivos. O número certo é segredo da empresa e ela vinha há mais de um ano protelando e dificultandos as investigações. As pressões e o temor de severas punições, principalmente pelas autoridades de fiscalização de empresas presentes nas bolsas de valores dos EUA, fizeram nos últimos meses com que as coisas finalmente começassem a andar e os fatos se sobrepõem, nos últimos tempos, no mesmo ritmo galopante como crescem, a cada revelação, os milhões usados para subornar governos nos quatro cantos do mundo. Listão de corruptos e corruptores Possivelmente pela primeira vez na história, o "The Wall Street Journal" publica parte uma lista oriunda do processo que corre no Ministério Público de Munique, onde estão especificados não apenas as quantias pagas, como também os executivos da empresa responsáveis pelos pagamentos, países, nomes e cargos dos subornados. O documento judicial é peça parcial do processo sobre a corrupção na área de telecomunicações e a Siemens aceitou em acordo, a 4 de outubro passado, o pagamento de uma multa de 201 milhões de euros, assumindo a responsabilidade pela conduta sem, contudo, se dispor a revelar a identidade dos subornados. A lista publicada foi fornecida à justiça pelo ex-diretor e um dos acusados, Reinhard Siekaczek, como prova de que seus superiores tinham conhecimento das falcatruas. Siekaczek trabalhava há 38 anos na companhia. Os pagamentos eram feitos de diversas formas, como através de firmas fantasmas que atuavam como "laranjas", passando por transferências bancárias diretamente aos beneficiados e até mesmo em dinheiro vivo, segundo Reinhard Siekaczek em seu depoimento, tudo com a permissão e conhecimento de outros executivos e superiores. Escândalo atinge Brasil, diz jornalista A lista revelada envolve três países, Nigéria, Rússia e Líbia e pagamentos que vão de meros 2 000 até 2,25 milhões de euros, chegando à quantia de cerca de 12 milhões de euros. Ainda uma gota d'água em relação aos 1,3 bilhão confirmados pela própria Siemens. A Nigéria, por exemplo, está representada por nada menos que 4 ex-ministros de telecomunicações, o que aponta para o suborno sistemático praticado. Ao todo a lista revela 77 pessoas dos três países, em diferentes posições em seus governos, que receberam propinas para facilitar contratos com o conglomerado alemão. O documento coincide com papéis apreendidos em busca judicial feita nos escritórios da empresa em Munique, em novembro de 2006, segundo o "Wall Street". O jornalista responsável pela revelação no periódico, David Crawford, correspondente do jornal na Alemanha, confirmou ao ABKnet que, além destes três países, o Brasil, Egito, Camerões, Grécia, Polônia e Espanha constam no autos do processo a que ele teve acesso, mas que, infelizmente, não recebeu cópias. O fato também foi publicado na matéria. O porta-voz do tribunal de Munique, Anton Winkler, disse que a acusação não ouviu judicialmente os receptores da propina porque eles são cidadãos estrangeiros e não residentes na Alemanha, fora, portanto, da jurisdição do tribunal local. Entretanto, alguns países, como Suiça e Itália, já estão investigando a Siemens e pagamentos suspeitos. A Grécia também iniciou investigações sobre as atividades da empresa no país e seus procuradores estão mantendo contato com o ex-diretor Reinhard Siekaczek para receber informações sobre as atividades criminosas da Siemens em terras gregas. Outros países já investigam Siemens - ABKnet publica lista do Wall Street Na última semana a Siemens admitiu que autoridades chinesas iniciaram investigações e buscas nas suas subdisiárias no país por acusações de corrupção em diversas áreas, entre elas tecnologia de informação, automatização Industrial e equipamentos médicos-científicos. Também na Hungria, Indonésia e Noruega a empresa confirmou que há diligências das autoridades locais com o mesmo objetivo. Agora é esperar para ver se as autoridades brasileiras também despertarão sobre o assunto. Afinal de contas, na justiça alemã o país já consta do listão. Veja , no original em inglês publicado pelo "The Wall Street Journal", a lista da corrupção, gentilmente cedida ao ABKnet pelo jornalista David Crawford. |
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