ABK NET 
Notícias - Reportagens - Produções

[ Home  ]
Terça-feira - 10/08/2004
ABKnet  News 
Dieser Beitrag steht auch auf Deutsch zur Verfügung

Documentário: Schroeder fica no Brasil
.

Zé do Rock   (Foto divulgação: Günther Eisele)

Há idéias ou imagens de muita coisa nesse mundo, que vão se formando com o tempo, através da sucessiva exposição de clichês pré-elaborados. É assim que foram sendo esculpidas muitas das opiniões que se tem, por exemplo, sobre Brasil e Alemanha. 
A segunda guerra mundial ajudou na imagem do alemão frio, sempre falando uma língua estranhamente truculenta, bem de vida e, lá no fundo, quem sabe, cheio de tendências nazistas. 
A chegada de Carmem Miranda com o famoso abacaxi na cabeça a Hollywood contribuiu para o estereótipo da brasileira sambando, com cada vez menos roupas ao passar dos anos.  O abacaxi perdeu-se, ninguém sabe mais onde, nem porquê.
É exatamente para provar o contrário que o cineasta e escritor brasileiro Zé do Rock está produzindo e dirigindo um documentário sobre os dois países: Schroeder fica no Brasil.

Zé do Rock, que vive há mais de vinte anos entre o Brasil e o mundo, os últimos doze em Munique, é um virtuoso da linguagem que, com humor e criatividade, escreveu três livros, reinventando a arte de falar e escrever a língua alemã. Objeto de estudos até mesmo para filólogos nativos, Zé é frequente participante de palestras e colóquios sobre seu “Ultra-alemão » , como é conhecida sua proposta de reforma linguística no país.
Mas Zé é, antes de tudo, um brasileiro que vive no exterior e não esqueceu sua terra. 
Gaúcho de Porto Alegre, ele viveu em São Paulo. Para completar seu perfil de brasileiro, inspirado numa canção do sanfoneiro pernambucano Dominguinhos, resolveu assumir o pseudônimo  ultra-nordestino de Zé  - Meu nome é Zé.  Zé do Rock.
Seu nome verdadeiro foi realmente banido até mesmo da plaqueta na porta de sua casa em Munique, onde as regras obrigam ao registro do nome verdadeiro. “- O carteiro hoje não tem mais problemas com isso " , diz ele.

O outro Brasil, a outra Alemanha e o presente de Dom Pedro

Os clichês sobre o Brasil e Alemanha fizeram com que nascesse a idéia de um documentário como nunca foi feito. O Brasil do samba, carnaval, da violência e criminalidade, das injustiças ? Tá certo, pode ser. Mas o Brasil é só isso? Embora um país do terceiro mundo, ou como se diz perfumadamente, emergente, será que não existe o outro lado? O sul pujante, um nordeste pobre mas belo, onde mesmo entre os mais humildes pode-se encontrar gente de alguma forma satisfeita?
Será que, mesmo sendo um país excludente, não vale o exemplo de, deixando de lado as paixões políticas (quem não tem suas críticas?), deixando de lado escândalos (qual povo não possui os seus ?),  termos um presidente ex-pau-de-arara, eleito numa das maiores festas democráticas do ocidente?  Isso não vale nada ?

E a Alemanha rica e próspera ? O que dizem os pobres (sim, os pobres) de lá ? A imagem do país mecanizado e ordeiro combina com aquele lado humano (!) de sem-tetos morando embaixo de uma ponte ? E o que dizem os brasileiros que lá vivem? Afinal de contas boa parte dos brasileiros no exterior são os pau-de-araras dos novos tempos. Ao invés de sobre rodas de empoeirados caminhões e ônibus, eles aterrissaram alados nos seus destinos. Às centenas de milhares no decorrer dos anos.
Atacados de saudade de vez em quando, é como diz Inez Hiltrop, a tradutora brasileira engajada no projeto:
- Brasileiro que não sente saudade do Brasil ou tá mentindo ou nunca partiu.

Enquanto o chanceler alemão Schroeder luta para tirar o país da estagnação, a localidade de mesmo nome do chanceler, Schroeder, no sul do Brasil, sem as regalias sociais e benefícios oferecidos pelo bem-estar do primeiro mundo e habitada na maior parte por pacatos descendentes de colonos alemães, diz-se satisfeita e feliz ao seu modo. Com a vida e com o Brasil. Daí o título do filme.
Além disso o documentário resgata um passado desconhecido por muitos, como os transeuntes da Rua Dom Pedro, em Munique - A rua tem o nome do imperador brasileiro como agradecimento a um orfanato doado à cidade nos tempos em que o Brasil Imperial podia dar-se ao luxo de prestar filantropia. As ironias da vida.

Mutirão internacional engajado - Filmagens na Alemanha concluídas

Juntando tudo isso fica a pergunta: Não chegou a hora de perder o complexo de cachorro vira-latas que brasileiro possui, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues, o do óbvio ululante ?
Será que não tapamos um olho, ignorando que também temos nossos valores?

Ver jovens louros e louras, sejam alemães ou ingleses, passeando pela Europa com camisas estampadas com motivos do Brasil, usando sandálias havaianas e ouvindo música brasileira não será um sinal dos tempos?

O filme é uma produção conjunta de pessoas que, como Zé do Rock, não apenas acreditam no Brasil, elas admiram e fazem fé no país. 
Como o cinegrafista Christoph Konrad, que deixou o aconchego de sua casa e estabilidade de seu emprego em Munique, para embarcar no projeto. Ou como o jovem francês Hugues Lefevre, parisiense residente em Colônia, que quando vê algo sobre o Brasil ou ouve música brasileira, não consegue ver ou ouvir mais nada. Moderador do maior grupo discussão da internet sobre Brasil-Alemanha, com cerca de seiscentos participantes, Lefevre é um dos maiores entusiastas e incentivadores do filme, sendo ao mesmo tempo co-produtor.
Alemães, brasileiros e brasileiras residentes no Brasil e na Alemanha completam o time que está tocando o projeto com Zé do Rock. As fillmagens na Alemanha foram concluídas na última semana.

Filmagem em S. Paulo

As filmagens no Brasil estão em fase de conclusão. Para mais informações visite o site oficial do filme:

http://www.schroeder-brasil.com

Equipe e fotos das filmagens na Alemanha


Veja outros artigos e noticias da ABKNet

Assine você também  nossos News


.[ Home ]

ABKNET -  Pfarranger 4 -  84416  Taufkirchen / Vils -  Germany
 Tel.: 0049 - ( 0 ) 8084 - 3359        Fax: 0049 - ( 0 ) 8084 - 7785