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Domingo 27/04/2003
ABKnet  News
- Cidade francesa preocupada com G 8
- A disputa dos Titãs continua 
- Conselho de Segurança decisivo ?
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 Esperando por Bush: hotéis da reunião do G 8 em Evian

Operação de guerra para receber Bush

Evian, cidade francesa às margens do lago de Genebra, nos Alpes franceses, é um centro turístico famoso por suas termas, água mineral, possibilidades de caminhadas para quem gosta da natureza e um torneio de golfe, o Evians Masters. Nos próximos dias 1 a 3 de junho contudo, a cidade será transformada por uma imensa operação  policial-militar que assumirá o controle de toda a região por terra, água e ar. Pelo menos quinze mil policiais e soldados estarão cuidando da segurança dos participantes do encontro do G 8, que reunirá pela primeira vez, desde a fase pré e pós-guerra no Iraque, os principais chefes políticos mundiais envolvidos nas desavenças e desentendimentos sobre o conflito, Bush, Blair, Chirac, Schröder & Cia. 
O evento ocorrerá em um complexo hoteleiro de luxo (foto acima) com cerca de 17 hectares de área, que abriga os luxuosos hotéis Ermitage e Royal, onde serão realizadas as reuniões e hospedadas as principais comitivas.
Postos policiais espalhados praticamente por todos acessos e ruas, dotados de barreiras eletrônicas, somente permitirão o trânsito de pessoas autorizadas. Os moradores receberão cartões magnéticos codificados para pemitir a locomoção. A região será dividida em quatro setores, o espaço aéreo será completamente fechado e vigiado permanentemente pela força aérea francesa, o lago policiado por vinte embarcações militares e inclusive baterias anti-aéreas serão postadas para qualquer eventualidade. Até mesmo a prática de aeromodelismo foi proibida. 
Apesar de todo o aparelho militar montado, a inquietação é grande. O chefe administrativo e político da Savóia Superior, Jean-François Carenco falou, esta semana, sobre as dificuldades para garantir a segurança do evento e as autoridades policiais declararam que Evian é um lugar ideal para turismo mas não possui as condições necessárias para garantir a segurança de um encontro da natureza do G 8.
Considerando a tensão existente entre o governo francês e norte-americano, cada vez mais acentuada, o evento está sendo aguardado como o confronto que definará finalmente o rompimento simbólico ou reconciliação dos antigos aliados. Pelo menos no que depender de aconchego e hospedagem, o caso já está resolvido. Na homepage oficial do luxuoso hotel Ermitage lê-se: " No hotel Ermitage as noites são vividas entre amigos e se prolongam no calor de uma imponente chaminé..". 

Movimentos anti-globalização e anti-guerra preparam-se na Internet 

As numerosas trilhas e caminhos nas montanhas e circundâncias de Evian tornam quase impossivel o controle total do movimento de pessoas na região. Sem falar no acesso pelo lago e a proximidade da fronteira com a Suiça.  Aliados ao intenso movimento de grupos e organizações que estão programando e prometendo gigantescos protestos durante os dias do encontro, deve ser enorme a dor de cabeça das autoridades francesas.
Como sempre, o canal principal utilizado pelos organizadores dos protestos tem sido a internet. Grupos, alguns radicais, organizações como Attac, ONGs, etc., estão oferecendo as melhores informações sobre como burlar a vigilância e chegar ao destino. Passagens desconhecidas na fronteira com a Suiça, mapas com roteiros e pontos de encontro, horários e cuidados especiais para não cair na malha dos policiais, fazem parte do acervo virtual disponível para quem quer ir a Evian como não-convidado e participar dos protestos. Os organizadores prometem uma dimensão das manifestações maior que a ocorrida em Nápoles, Itália, na última versão do G 8. Julgando essas intenções pelos serviços de busca da internet, eles podem ter razão. Quem digitar Evian e G 8 nos Googles da vida, vai ter como resposta um número muito maior de páginas que tratam dos protestos, que sobre qualquer outro assunto sobre o encontro.
O acaso (?) está fazendo também com que duas tendências mundiais estejam convergindo para o mesmo ponto: Os anti-globalização e os anti-guerra. Ambos extremamente excitados pelos recentes acontecimentos mundiais. A ironia e disposição dos dois grupos fica clara na frase de convocação para participar dos protestos, em um texto online no site Indy.com: " Será a melhor oportunidade para conseguir um autógrafo do presidente Bush ".

Disputa EUA x Rússia, França & Cia. 

O encontro foi discreto e sem maiores coberturas jornalísticas, mas visível o suficiente para o governo Bush continuar enviando recados insistentes pela imprensa, na direção da "velha Europa", alvo principal a França. Michèle Alliot-Marie, ministra da defesa francesa firmou esta semana com o colega russo Igor Ivanov, na Rússia, dois acordos que revelam ainda mais acentuadamente não ser apenas um oceano que separa os dois continentes. Um dos acordos visa a efetuação de manobras militares conjuntas das forças armadas dos dois países, o outro permite o desenvolvimento, também conjunto, de armas, bem como sua comercialização a terceiros. Apesar do silêncio e discreção franceses, a forma decidida de ação, mostram que a tese de multipolaridade não se limita a retórica filosófica. A intenção clara de produzir armamentos e, idem, vendê-los a outras nações, mostra a tentativa de fazer frente à superioridade militar e oposição ao unilateralismo dos EUA.

Mas esta não é a única aliança, digamos heterodoxa, que o conflito e guerra no Iraque têm provocado. Serviços secretos ocidentais possuem informações de que a Coréia do Norte tem auxiliado o Irã em seu programa nuclear. E o próprio Irã tem procurado afinar suas relações com a Rússia, Paquistão e Arábia Saudita. Os sauditas, por seu lado, trabalham na moita. Cientes de que estão entre os visados na política norte-americana de mudanças no oriente e que a vitória de Bush no Iraque diminuirá a dependência dos EUA de seu petróleo, os chefes sauditas estão em quase permanente atividade de negociações principalmente com Egito, Irã e Rússia. Os príncipes sabem que os tempos são outros. O mesmo exemplo seguem a Síria e Líbano. 
Pequenas delegações das diversas nações árabes, em missões (pretendidas) secretas, continuam aterrissando em Moscou, embora o movimento não passe despercebido pelos norte-americanos. Algumas conversações foram realizadas na região do Mar Negro, para evitar os olhos dos espiões da inteligência dos EUA.
 

Suspensão de embargo define influência

A suspensão do embargo ao Iraque, pelo conselho de segurança das Nações Unidas, é outro ponto fundamental para a área de influência dos russos. Enquanto o embargo vigorar o governo dos EUA não recebe a carta branca necessária para obter o total controle sobre os destinos do Iraque e sua maior riqueza, o petróleo. Como as forças que ocupam o Iraque não conseguiram provar o desarmamento do país, seus adversários usam isso para evitar a suspensão. Ao mesmo tempo, exigir o fim do mesmo, admitindo que o Iraque não possui as procuradas armas, revela uma contradição sobre o motivo da guerra protagonizada pelo governo Bush. O dilema faz com que, ironia do destino, os norte-americanos encontrem-se na mesma situação do deposto Saddam Hussein.
Na verdade a decisão do conselho de segurança definirá não apenas o destino do Iraque, mas revelará igualmente a correlação de forças na conjuntura mundial. E a disposição dos EUA de negociar com o resto do mundo.
A Rússia, que faz parte dos membros permanentes do conselho, é também quem possui os maiores interesses no Iraque. E parece levar a sério a disputa, mais que se imagina. Fortalece essa impressão uma frase do Czar Alexandre III, repetida em diversas oportunidades pelo ministro da defesa russo, Ivanov: " A Rússia só possui dois amigos : Seu exército e sua frota. ". 

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