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Arquivo - matérias e reportagens  -   Volks: Cronologia de um Escândalo sem fim  


A crise, o Oriente e o engano próprio (18/01/2009)

Por Toni Bulhões

Fins de 2007 o Abknet alertava (News dez. 2007) sobre os perigos de uma crise mundial que estaria armando o  seu bote. Nestes artigos que, lidos hoje, soam proféticos, o site foi um dos primeiros meios a prever os perigos do terremoto econômico que se aproximava. Mais de um ano depois, a crise, como prevista, não apenas chegou  com todo ímpeto, a partir de março de 2008, como tomou conta do noticiário e provavelmente não vai deixar de ser notícia tão cedo. 
O drama financeiro, logo atingindo a economia, vem derrubando anões e gigantes, persistirá nos próximos tempos. Pior que isso, qualquer previsão de seu fim não passará, por enquanto, de especulação, mesmo para analistas otimistas.
Para ficar apenas no setor financeiro, origem da crise, a grande maioria dos bancos que lutam contra o afundamento no mar bravo, continua com pepinos escondidos em seus balanços. E os pepinos são tão grandes, maquiados em operações confusas, que ninguém pode dizer com certeza suas dimensões. 
O efeito dominó continuará sua marcha de forma irreversível, também porque governos de todo o mundo subestimaram o poder do veneno mortal que rondava seus países.  As propostas de solução e medidas que vêm sendo tomadas, entretanto, deixariam felizes até mesmo dirigentes dos países do bloco leste, nos tempos da cortina de ferro.  As estatizações de bancos e empresas dariam inveja à antiga URSS e reforça a piada corrente de que, se o socialismo estatizava para, após isso, destruir a economia, o capitalismo, ao contrário, primeiro a destrói, para depois estatizá-la.

Seria um bom motivo para a esquerda que continua, mais de 20 anos após a queda do muro, atordoada e sem rumo. É o que prova outra grande crise, a do Oriente Médio, que há três semanas divide com a economia o espaço nos jornais. 

Ombro a ombro com a TFP 

Caracterizando a cegueira política dos tempos pós-muro, os apoios dados às organizações Hamas e Hizbollah espantam não apenas por chegarem de onde menos se esperava, como também pela contradição ideológica que desnudam.  

Sequer a transmissão de notícias e imagens vindas do conflito é questionada, mesmo se sabendo das manipulações típicas e até compreensíveis destas situações, para todos os lados envolvidos.  As imagens transmitidas da faixa de Gaza são, por exemplo, sem exceção, geradas ou liberadas pela TV Al-Aksa, pertencente ao Hamas. Os repórteres e jornalistas que lá se encontram não podem fazer entrevistas sem a presença de um militante ou tradutor da organização fundamentalista, sob o perigo de suspeita de colaboracionismo, cujo preço pode ser a própria vida. Este perigo não ocorre com os profissionais que trabalham no lado de Israel, mas eles são da mesma forma impedidos de se locomover livremente na área do conflito.  Motivos suficientes para se analisar de forma crítica o noticiário. 

O pior, contudo, é ignorar o fundo político desta guerra e com um vigor nunca visto em situações recentes e semelhantes,  usar gratuitamente termos como genocídio e Holocausto, sem o mínimo respeito às reais vítimas destas tragédias.  A exterminação industrial, sistemática e racista de milhares e milhões de seres humanos, como ocorreu com os judeus na Segunda Guerra Mundial, mais recentemente na África e na península Balcânica, pode mesmo, com seriedade, ser comparada com o que vem ocorrendo nas últimas semanas no Oriente Médio? 

Intimidando qualquer voz de prudência, até mesmo facções e grupos, inclusive partidos historicamente de esquerda, aliam-se ao Hamas, Hizbollah e suas reinvindicações, que contém entre elas o fim do Estado de Israel,  ao invés de reunir os esforços para uma solução pacífica e definitiva na região. Esta aliança contraditória e suicida poderia ser comparada, em uma circunstância hipotética, com as organizações brasileiras de oposição à ditadura militar, nos anos 70,  marchando ombro a ombro com a TFP, a ultraconservadora organização “Tradição, Familia e Propriedade”.

Lembrar  velhas lições

Grave igualmente, deixando de lado os mais básicos princípios, a esquerda abraçou a causa política mais dogmática, fundamentalista e reacionária dos tempos atuais,  sem apurar o sentido crítico ou analisar que a comunidade internacional praticamente ignorou e deu as costas aos problemas da região e, onde não ignorou, só contribuiu para agravar a situação, vide Iraque e Afeganistão.

Israel vem há anos pedindo socorro e lutando contra a avalanche radical que tem ódio a tudo que cheire a Ocidente,  negando qualquer direito que não esteja baseado nas sharias ou no corão. O azar de Israel é justamente ser o vizinho geográfico mais próximo, senão as bombas e mísseis destes últimos sete anos poderiam estar caindo diante de nossas portas. Esqueceu-se ainda que o direito de existir do Estado israelense é soberano e foi uma decisão desta mesma comunidade internacional que há anos faz vista grossa para os problemas. E se continua esquecendo que, sem reconhecer o direito de existir de Israel,  não haverá paz jamais.

Parece que uma parte do mundo vive uma fase de fazer questão de ser enganada, possivelmente por ser mais cômodo. A esquerda, especialmente, parece ter mesmo é esquecido de si própria. Quem, entre bombas e tiros, der uma caminhada pelas ruas de Israel ou faixa de Gaza, irá entender que as velhas bandeiras políticas não mudaram e continuam válidas. A esquerda sem-muro poderia combater sua crise de identidade dando uma relida nas mais elementares lições de suas cartilhas. Assim saberia lidar com as crises politica e econômica atuais. Com relação ao Oriente Médio, a cartilha ensina a mais básica lição do aprendizado. Simples e categórica: Paz, Pão e Trabalho.



A crise e reunião de emergência (16/03/2008)

Os acontecimentos dramáticos nas bolsas de valores do mundo na última semana, a quebra do banco de investimentos Bear Stearns e a queda contínua, avassaladora do dólar são apenas parte do tempero na panela da crise que vem se aprofundando não apenas no sistema financeiro.

No Abknet News de 29 de dezembro passado (veja nota abaixo), com quase três meses de antecedência, nosso boletim indicava que em março de 2008 se saberia mais precisamente a vinda de um vendaval ou de um furacão para a cambaleante economia dos EUA e mundial.

Agora, pode-se dizer, chegou a hora da verdade. A impotência dos governos e bancos centrais do mundo nestes três meses para regular a economia e exercer uma política monetária de resultados tem sido recheada até mesmo com lances patéticos inusitados. Foi o caso, por exemplo, do papel ridículo de Ben Bernanke, presidente do FED, ao apresentar-se em janeiro último, mais como porta-voz do governo do presidente Bush do que como chefe de uma instituição independente. Além das críticas por suas medidas para tentar conter a avalanche, que têm sempre surtido efeito contrário. Tudo isso, contudo, já é passado e o pior poderá estar chegando:

A partir de amanhã será iniciada uma verdadeira semana negra que dará os indicadores finais sobre o que aguarda a economia do mundo ou o que já vem ocorrendo com ela.
 Durante a semana serão anunciados os índices de evolução dos preços nos EUA, o índice de desemprego bem como os dados de conjuntura do Federal Reserve da Filadelfia. Três dados que têm gerado persistentente especulação. 

Além disso, três dos principais bancos de investimentos, o Lehman Brothers, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs apresentarão seus balanços trimestrais e podem com isso trazer mais fogo para a fogueira da crise. O próprio Bear Stearns antecipou para esta segunda-feira o anúncio detalhado de seu balanço, que normalmente ocorreria na quinta-feira, acentuando os rumores de que algo ainda pior esteja para ser revelado. O Bear Stearns foi de forma inédita socorrido na última semana pelo concorrente JP Morgan Chase e pelo Fed, com bombeamento financeiro para salvá-lo do colapso.

Para instigar a situação, na terça-feira o Fed se reúne ordinariamente. Embora seja aguardada mais uma baixa de até um ponto percentual dos juros, de 3% para 2%, especialistas afirmam a medida nenhuma influência positiva terá nos destinos da economia. Pelo contrário, a queda dos juros poderá empurrar definitivamente o dólar para o abismo. Mesmo que essa queda seja menor que um ponto percentual. Para Ben Bernanke o quadro é como se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Como prova da gravidade da situação, embora seja tratada na surdina, nesta segunda-feira uma reunião de emergência está marcada na Casa Branca. Os participantes: Presidente Bush, o Secretário do Tesouro Henry Paulson, o presidente do Fed, Bernanke, o regulador de mercado de capitais, SEC, bem como a Comissão do Mercado de Futuro de Matérias-Primas, CFTC. Como todas as medidas adotadas até agora foram ineficazes, não resta dúvida que o simples encontro dos senhores ainda mais especulação gera. 


Dados de sonegadores atravessam oceanos (26/02/2008)

O escândalo de sonegadores, cujos dados e contas caíram em massa nas mãos do fisco alemão (veja nota abaixo - 15/02) atinge agora proporções aterradoras para sonegadores do mundo inteiro. Autoridades alemães estão fornecendo os dados em seu poder a governos que façam a reivindicação oficialmente. EUA, Canadá, Austrália, França, Reino Unido, Itália e Suécia são alguns dos países que estão recebendo os arquivos com os dados de todos os sonegadores que possuem dinheiro escondido em Liechtenstein.  Com isso ocorre pela primeira vez uma ação globalizada contra a sonegação e lavagem de dinheiro.  É também um golpe que pode atingir o crime organizado que utiliza o principado como porto seguro para seu dinheiro sujo.

Os dados fornecidos possuem não apenas nomes e contas, mas incluem igualmente todos os protocolos referentes às contas, firmas fantasmas e caminhos do dinheiro, e até mesmo arquivos word com protocolamento  de conversas e acertos dos sonegadores.
Na Alemanha centenas de pessoas foram até agora indiciadas e 92 já confessaram os crimes. Mas de 200 ações de busca e apreensão já ocorreram, inclusive em bancos locais que auxiliam na evasão de divisas.

 O abknet voltará a reportar brevemente sobre o assunto. A notícia que foi dada em primeira mão duas semanas atrá, agora já ocupa meios da imprensa internacional o Times londrino.
Autoridades brasileiras ainda não contataram os alemães sobre os dados, pelo menos oficialmente, segundo informações colhidas pelo abknet mas, segundo a mesma fonte, também os agentes dos leões brasileiros podem ter acesso ao material.  


Megaescândalo na Alemanha atinge mais de mil sonegadores (15/02/2008)

O maior escândalo financeiro da história alemã atinge mais de mil acusados, entre ricos e famosos, e coloca em polvorosa o principado de Lichtenstein, principal base na Europa para sonegadores de todo o mundo.  Leia mais



Foto de Marte chama atenção (23/01/2008)


Foto misteriosa: Será um Marciano?

Uma foto, enviada recentemente de Marte pela sonda Explorer Spirit
e divulgada pela Nasa, está intrigando cientistas e estimulando a imaginação de muitos pelo mundo. A foto, tirada em uma área rochosa do planeta, revela uma figura semelhante a um ser humano, presumivelmente acenando com a mão direita. Entusiastas da teoria de vida extra-terrestre e até periódicos, como o londrino Times, não deixam escapar a oportunidade.   Sob o título interrogativo "É esta foto a prova de vida em Marte?" o Times alimenta a especulação sem, contudo, deixar a de sublinhar que a imagem pode ser uma ilusão de ótica. Para todos os efeitos, a reprodução é real e confirmada pela Nasa.  Resta agora saber quem tem razão ou se, como também conjectura ainda o próprio o Times, trata-se de Bin Laden acenando de seu esconderijo no espaço.



2007: Bolhas, bombas e Caracas (29/12/2007)

Por Toni Bulhões


O ano de 2007 foi decididamente um ano que marcou o fracasso de todos os esforços das potências ocidentais de moldar o mundo à sua semelhança. Em todos os lugares onde pôs pés e botas, a principal nação, os EUA,  descobriu-se em um beco sem saída. Para complicar a situação, sua economia, baseada no consumo desmensurado de sua população, financiado principal e ironicamente por um dos arquiinimigos, a China, cambaleia sem rumo e remédio.  Afetada sem tréguas pela crise imobiliária, a verdadeira dimensão somente virá à superfície no início de 2008, quando suas empresas e bancos terão que finalmente mostrar seus reais números, nos balanços finais do ano de 2007, sem condições de maquiar seus valores trimestrais, empurrando com a barriga os rombos, como tem sido feito.
Aí o motivo e a razão principal da continuidade da crise, apesar do bombeamento sistemático de bilhões pelos principais bancos centrais do mundo, a cada semana, inutilmente.
Possivelmente as próximas consequências serão a bolha do cartão de crédito, a bolha do automóvel, a bolha do supermercado, já que a quebradeira de quem sequer pode pagar as prestações da casa própria, poderá ter efeito dominó nos bolsos de uma sociedade acostumada a viver de dívidas. O golpe fatal, segundo os mais pessimistas, será dado entre si, de forma antropófaga, pelos próprios bancos e fundos, os quais, desconfiados de quem cairá primeiro e de quem esconde o quê, evitarão os refinanciamentos mútuos corriqueiros no mundo da especulação e dos especuladores. As previsões mais otimistas falam do que seria um poderoso "freio de arrumação", as mais pessimistas alertam para uma profunda recessão. Até março de 2008 saberemos se virá  vendaval ou furacão.


No pais mais perigoso do mundo dominará a anarquia

Não será preciso esperar tanto para constatar que a crise política que acomete o mundo se agravará no ano que se inicia. O assassinato da líder populista paquistanesa Benazir Butto sepultou juntamente o "plano B" do governo norte-americano para arrefecer o ímpeto dos radicais islamistas na sua terra mais fértil, no país mais perigoso do mundo, o Paquistão.  -  Apesar da plena ignorância ao crer que Butto poderia mudar algo em uma nação onde a anarquia já impera há algum tempo. Sem falar que por duas vezes ela fracassou como primeira-ministra.

O Paquistão sempre foi, e todos os serviços de inteligência ocidentais bem o sabem, o quartel-general de terroristas islâmicos do mundo inteiro. Foi lá que nasceu o Taleban afegão e é lá que estão os principais centros de treinamento e logística das facções radicais, entre elas o Al-Qaeda. Há anos, mesmo antes do 11 de setembro de 2001, que toda a área noroeste do país está fora de controle do governo. Ali regem as leis dos clãs locais sob a luz da interpretação fanática do Corão. O país tende agora à generalização do caos por todo seu território.

As forças armadas e o poderoso serviço secreto paquistanês, o ISI,  são os verdadeiros possuidores do poder. A eles pertence a decisão de quem governa ou não, quem vive e quem deve morrer.  Os dois defendem um estado islâmico e agem à revelia de quem está no poder. Governantes, como o atual ditador Pervez Musharraf, são tolerados dependendo de até onde metam ou deixem de meter o nariz.
 
É ingenuidade pensar que a morte de Butto não tenha tido a contribuição decisiva do ISI, seja lá quem ou qual grupo tenha efetuado a operação. Igualmente deve-se ao ISI, também não é segredo por lá, o assassinato dos dois irmãos de Butto, um deles envenenado em Paris, o outro fuzilado em plena rua no Paquistão. Com a morte de Benazir Butto foi dado o golpe final na história da familia autocrática, iniciada com o pai, Ali Butto, também condenado à morte pelos militares, e o recado final ao mundo ocidental: Os radicais querem o confronto, seja qual for o preço.
Fanáticos islamistas de todo o oriente, não apenas Afeganistão e Iraque, possuem uma base no Paquistão. Lá é o refúgio seguro onde são arquitetados atentados, ofensivas políticas e onde os militantes da Jihad recebem treinamentos e armas. Mesmo países aparentemente distanciados, como Arábia Saudita, selam pactos secretos para evitar confrontos diretos e assegurar a frágil estabilidade na qual vivem. Agravante na melindrosa luta pelo poder está o fato de o Paquistão ser o único país islâmico a possuir a bomba atômica. 


América do Sul com anti-semitismo? Irá Chavez estabelecer a obrigatoriedade da Burka?

Para complicar a estratégia geopolítica ocidental está, do outro lado da trincheira, o Irã e seus aliados. Por enquanto os iranianos têm evitado o confronto direto e vêm limitando sua atuação na retórica e, no lado prático, principalmente no fomento da guerra civil no Iraque. Seu principal líder político, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, continua com afinco, contudo, o trabalho de buscar aliados suficientes para poder ampliar seu campo de atuação na teoria e na prática.
Momentaneamente ele encontra-se neutralizado, mas já possui alguns parceiros onde menos se poderia esperar, na América do Sul. Paradoxal e inimaginável ver a América do Sul aliada a regimes que obrigam as mulheres a viver no escuro de uma Burka e onde as leis são sharias que condenam à morte o que considera pecado. Onde ser  homossexual ou mulheres que pratiquem sexo sem ou fora do casamento, mesmo que tenham sido violentadas, corram o risco da condenação à morte, apedrejadas em praça pública.  

O grande aliado dos iranianos é o presidente Hugo Chavez, da Venezuela. O resultado da aliança é sintomático: Compreensivamente, até certo ponto, elegem os EUA como inimigo principal mas, no dia a dia, movidos pela covardia política, preferem perseguir os judeus, culpando-os pelos males do mundo.  Nada mais fácil em uma receita própria do obscurantismo.
Os resultados vêm se acumulando aos poucos. Uma nota divulgada em 5 de dezembro passado pela Confederação de Associações Israelitas da Venezuela, por exemplo, informava sobre a invasão, por efetivos policiais, no dia 2, do Centro Cultural e Desportivo Hebraico de Caracas. O ocorrido, além de lembrar práticas utilizadas no regime nazista de Adolf Hitler, é apenas um lado na intensa e insane campanha anti-semita que tem dominado a política venezuelana nos últimos tempos. As ameaças e intimidações ocorrem desde programas de TV a contínuas declarações do próprio presidente Hugo Chavez. A aproximação do governo venezuelano com regimes politicamente mais atrasados do mundo, como o iraniano, apenas confirma a tese de que Chavez perde terreno no apoio e simpatia que possuía além de suas fronteiras. No pantanoso terreno que decidiu ingressar, exímio em demagogia e bravatas, o chefe de governo desperdiça a passos largos a oportunidade de assumir a liderança em um subcontinente que carece de personalidades políticas capazes de promover as reformas e avanços sociais necessárias há pelo menos 500 anos. A América do Sul continuará, assim, palco de eternos demagogos e opacos líderes que, de tempos em tempos, ressurgem repetitivos, semelhantes e destinados ao fracasso.

Embora previsões nem sempre se confirmem, juntar os fatos de 2007, além dos acima relacionados, nos leva definitivamente a desejar e agir para que 2008 seja realmente um ano novo e feliz.


Escândalo da Siemens também envolve o Brasil (16/11/2007)

O escândalo que envolve a Siemens com subornos que chegam a 1,3 bilhão de euros também envolve o Brasil, segundo reportagem do "The Wall Street Journal" baseada nos autos do processo do tribunal de Munique. Veja ainda a lista de envolvidos em três países, com nomes de subornados e subornadores, bem como quantias e postos ocupados, entre eles ministros de estado. Leia mais



Reino Unido ambiciona a Antártida (17/10/2007)


Reino Unido quer explorar Pólo Sul

Após ficar fora da briga pelo Pólo Norte, o Reino Unido está, segundo os britânicos The Guardian e BBC, recolhendo e processando dados para reclamar à ONU soberania sobre mais 1 milhão (segundo o Guardian) ou  2,59 milhões (segundo a BBC) de quilômetros quadrados da Antártida.

Com isso o Império Britânico sai na frente, no sul do planeta, na corrida que se abateu no mundo diante da escassez de recursos naturais. Ao mesmo tempo, o Reino Unido pode provocar a ira de países como Argentina, Chile e Brasil, contrariando ao mesmo tempo um tratado de 1959, proibindo reivindicações territoriais no Pólo Sul, além do Tratado da Antártida, de 1991, que impede qualquer exploração da natureza no continente, com exceções exclusivamente para fins de pesquisa. A referida zona entra em conflito direto com áreas que podem ser igualmente requeridas principalmente por argentinos e chilenos.

O Greenpeace criticou como uma "colossal irresponsabilidade" a atitude dos britânicos.  A reivindicação é, contudo, permitida pela Lei de Convenção dos Oceanos e as Nações Unidas estipularam o prazo até maio de 2009 para que os pedidos sejam efetuados. A permissão aumentaria a área do Reino Unido em vários milhões de quilômetros quadrados na região. Para ter direito a qualquer área os países envolvidos precisam provar científicamente que as áreas reivindicadas são parte ou prolongamento geológico de suas regiões em terra firme. O processo de recolhimento de dados e provas é caro e exige alta tecnologia.


Quebra-quebra em manifestação na Suiça (08/10/2007)

Radicaliza a campanha eleitoral para as eleições nacionais programadas para o próximo dia 21 no país dos Alpes. Campanha xenófoba do partido majoritário e violência de grupos de esquerda provocam distúrbios em comício. Leia mais



Sputnik: A esfera que mudou o mundo (04/10/2007)

Há 50 anos atrás uma sensação tomou conta dos noticiários no planeta: O primeiro objeto feito pelo homem entrava em órbita no espaço, o satélite Sputnik. Leia como o acaso e a improvisação mudaram o mundo.



A Camorra da bola (10/09/2007)

O jornalista brasileiro Juca Kfouri (Folha de S. Paulo) e seu colega Bob Fernandes (Terra Magazine) publicaram hoje excelente e contundente artigo  sobre a atuação do crime organizado no futebol brasileiro.

As revelações estarrecem ao mostrar detalhes, baseados em apurações da Polícia Federal brasileira, de como a globalização da bandidagem tem tomado conta do futebol e conclui com um dado igualmente supreendente: O  estranho fato de o Ministério Público abortar a conclusão das investigações, ao apresentar denúncia à justiça, impedindo assim o final e provavelmente novas provas de envolvimento de outras esferas criminosas no caso.

Além de estranho, o comportamento deve ter motivos superiores. A polícia e autoridades (honestas) brasileiras perderam uma grande oportunidade, talvez a maior delas, de levar até o fim e desvendar um dos lados da transformação do futebol em um antro de extorsão, lavagem de dinheiro e base de apoio para o crime organizado internacional.

Um dos lados, porque o iraniano Kia Joorabchian e o milionário russo Boris Berezovski, entre os principais envolvidos, são uma parte, peças de uma das gangues que atuam impunes pelo planeta afora. Ninguém se iluda ao imaginar que eles atuam sozinhos e ninguém se engane, contudo, ao pensar que os diversos bandos formam uma unidade inseparável que se acobertam reciprocamente.

As rivalidades e contendas entre estes grupos são igualmente semelhantes às dos grupos do crime organizado que conhecemos da máfia e dos cartéis de droga. O “mercado” também é dividido e disputado, de forma que sempre há alianças temporárias ou golpes traiçoeiros, concessões (e retiradas) táticas ou articulações estratégicas, tudo de acordo com as correlações de forças momentâneas, interesses comuns, em último caso como tentativa de evitar o avanço de policiais e autoridades no desvendamento de negócios que comprometem tantos os criminosos próximos e cúmplices, quanto os antagônicos. Este jogo constante entre eles se enquadra perfeitamente ao caso atual no Brasil.


Para entender o quebra-cabeças é necessário voltar no tempo e, principalmente, começar no centro, no quartel-general do crime, a própria FIFA.
A corrupção no futebol, como na sociedade, sempre existiu, mas da forma como hoje se apresenta, com caráter de crime organizado profissional, global e nestas proporções teve início nos idos de 1974, com a ascensão de João Havelange à presidência da entidade internacional e, aos moldes da máfia italiana, com a formação dos quadros para ocupar os postos, que tomou impulso em 1975 com a  “contratação” do capo-mor Joseph Blatter, possuidor de habilidades que o fizeram sucessor do brasileiro na presidência da entidade.


A FIFA nada mais é hoje que a vitrine semi-oficial, tal qual uma empresa de fachada, para o enriquecimento ilícito, acobertamento de delitos financeiros e lavagem de dinheiro, com a mesma arquitetura fraudulenta das empresas criadas pelos Pablos Escobares e Al Capones da vida.

Com sua atuação planetária (corruptos e idiotas existem até no Vaticano) foi montada a malha de atuação e ao mesmo tempo abertos os espaços para os bandos de periferia como o de Berezovski que, diga-se de passagem, mais é uma ameaça e concorrente indesejável de Blatter, do que um aliado, embora todos sejam cuidadosos publicamente nos ataques mútuos.
Os casos da FIFA já foram investigados, como no Brasil, por diversas polícias e promotores, até mesmo na Suiça, sempre esbarrando em obstáculos inaccessíveis, frutos da rede de influências como sempre utilizados nestas paragens obscuras da lei e do crime.
 

Como exemplo simples está a falência fraudulenta da empresa ISL, agente que possuía os direitos de marketing e TV  até as copas de 2002 e 2006 e que “faliu” em 2001, dando por tabela, com isso, sumiço a milhões da entidade. Ao promotores e juízes suiços aproximarem-se perigosamente, durante as investigações, dos patameres superiores da FIFA, nas ante-salas do poder futebolístico mundial, sumiram as intenções de Blatter de apurar o caso e com isso todas as apelações das autoridades para cooperação . Até mesmo a queixa foi retirada. Sintomático e semelhante ao caso no Brasil ou só coincidência?
A omertá, a lei de fidelidade e silêncio da máfia italiana, foi totalmente assumida em Zurique e vale para todos os seus soldados.  Como recompensa, o enriquecimento rápido e o luxo, ao custo de torcedores e jogadores e do empobrecimento dos clubes, da pauperização e esfolamento do futebol, principalmente nos países mais pobres, caso do Brasil.
Aos poucos que resistem, resta cair em desgraça, como o escocês John MacBeth, escolhido em fevereiro deste ano pelas federações da Escócia, País de Gales, Irlanda e Inglaterra, para ser o representante britânico na executiva da entidade.
Inesperadamente a FIFA, contrariando as próprias regras e deixando as federações do Reino Unido estupefatas,  nomeou o inglês Geoff Thompson para o cargo. O motivo?  MacBeth havia dado entrevista denunciando a corrupção na entidade e prometendo briga ao assumir o posto. Motivo suficiente para ser preterido pela máfia, como os africanos Farah Addo e Mohiadin Hassan, que declararam ao inglês “Daily Mail” que suas dificuldades na entidade começaram quando resistiram à proposta de Blatter de “dinheiro por voto” para reelegê-lo presidente. Os dois, que ao contrário de MacBeth, já ocupavam cargos, foram sumariamente expurgados de seus postos.
 

A máfia nunca perdoa ingratos e traidores, mas sabe ser condescendente com quem segue a omertá, mesmo quando cai em desgraça. Foi o caso de Jack Warner, representante de Trinidad-Tobago, absolvido pela FIFA após acusação de utilizar o contingente de ingressos destinados à sua federação  para a última copa, revendendo-os em benefício próprio a preços estratoféricos. Absolvição explicável, já que Warner, fiel vassalo, um professor de história que ficou milionário da noite para o dia, após seu ingresso na FIFA, é o responsável pela unidade dos votos dos países do Caribe.
Assim nem precisa explicar porque  FIFA, ditadura cartelizada internacional, reelegeu este ano Blatter, ditador de plantão.  Com a ajuda de Jack Warner e todos outros, a reeleição foi feita por aclamação, como nos rituais da Roma antiga. Acclamatio, do latim, a unanimidade perante a autoridade, como lembra o Berliner Zeitung alemão,  é um recurso muito utilizado nas ditaduras e um principio básico da Camorra.


Vôo 3054 - Leia sobre o acidente do Airbus A320 em Congonhas (10/08/2007)

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