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Copa
2006: Neonazistas preparam-se para ir às ruas (02/06/06)
Neonazistas, Taça da Fifa
Munique - O aviso veio de onde menos se esperava: O alemão Uwe-Karsten Heye, social-democrata e ex-porta-voz do governo Gerhard Schröder, alarmou em entrevista, semanas atrás, sobre os perigos que correm pessoas com aparência de estrangeiros de serem atacadas por extremistas de direita nas ruas do país. "Há cidades pequenas e médias no país, no estado de Brandemburgo e outras regiões, que devem ser evitadas por pessoas que são de outra cor", disse ele, referindo-se à multiplicação dos ataques a estrangeiros efetuados por radicais das hostes neonazistas da Alemanha. "Estas pessoas podem não sair vivas destas regiões", concluiu ele de forma contundente, mas apenas retratando o que vem constantemente ocorrendo com vítimas, nem sempre estrangeiras, principalmente de outra cor que não seja branca. As estatísticas criminais apontam para, somente este ano, mais de uma centena de agressões racistas, algumas delas de tal violência, como no ataque ao engenheiro de origem etíope Ermyas M., que ficou durante mais de duas semanas em estado de coma, com fraturas e traumatismo craniano. O pronunciamento de Heye gerou inicialmente protestos de políticos das regiões afetadas, mas ganhou apoio quando outras personalidades, como o deputado da coalizão CDU/SPD de governo, Sebastian Edathy, e o deputado verde no Parlamento Europeu, Daniel Cohn-Bendit, vieram a público reforçar e alarmar para a situação. A verdade é que nem mesmo o setor político escapou dos extremistas: Um deputado de origem turca, Giyasettin Sayan, foi espancado por um grupo de neonazistas, duas semanas atrás, em um bairro de Berlim. Partido neonazista quer ir às ruas durante a copa - No-Go-Areas para turistas As autoridades responsáveis pela segurança durante o evento alertavam inicialmente para o perigo da concentração de hooligans vindos de toda a Europa, principalmente Reino Unido e Holanda, quando perceberam que a "ameaça interna" igualmente oferece perigos tanto à saúde e integridade física dos turistas visitantes, quanto à imagem do país, em contradição com o lema escolhido para o copa do mundo, "o mundo entre amigos". Entre os grupos radicais, o Partido Nacional da Alemanha (NPD), organização legal que se diz sucessora do partido nacional-socialista (NSDAP) de Hitler, tem proclamado em suas homepages que vai aproveitar o torneio para promover manifestações em todo o pais. Pelo menos neste aspecto a organização utiliza a mesma tática de sua precursora, ao aproveitar-se de eventos esportivos para exaltar a superiodade racial. O pior, uma tentativa de proibir o NDP fracassou na mais alta corte da justiça alemã, sob o argumento de prerrogativas constitucionais que garantiriam o direito da organização existir legalmente. Embora com a segurança e policiamento sendo mais ostensivo no mês do torneio, é conveniente que as denominadas No-Go-Areas, regiões onde o perigo de agressões nazistas é grande, sejam evitadas. Um guia turístico lançado recentemente na Alemanha recomenda, por exemplo, que seja mantida distância da zona leste da cidade de Berlim bem como de cidades dos estados de Brandemburgo e Saxônia-Anhalt, incluindo suas capitais, Potsdam e Magdeburg, respectivamente. Brasileiros no grupo de risco: Embaixada se prepara para ajuda - Grupo informa e denuncia na internet Vindos de um país com grande miscigenação racial, um termo pavoroso para neonazistas, os turistas brasileiros estão entre os grupos tidos como alvo dos racistas. Ciente da situação, mas sem fazer alarde, por motivos diplomáticos, a embaixada brasileira está divulgando um "Guia Oficial do Torcedor Brasileiro na Alemanha". O guia pode ser baixado em formato PDF e Word (doc) e será permanentemente atualizado até o fim da copa. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro decidiu reforçar os serviços de sua rede consular no país e criou os "Consulados Temporários" que estarão acompanhando o torcedor brasileiro por todas as cidades de jogos do Brasil, mais a cidade de Colônia, por ser a sede oficial da torcida brasileira e onde estarão hospedados o maior número de visitantes brasileiros na copa. O guia informa desde moeda e seguro-saúde, até como se comportar nos estádios, idioma e precauções gerais. As autoridades diplomáticas brasileiras na Alemanha são o melhor caminho para o caso de problemas e dificuldades de turistas tupiniquins na copa da Alemanha. Também na internet tem havido mobilização em torno do tema xenofobia durante a copa do mundo. No site de relacionamentos Orkut foi criada a comunidade "Por uma copa cem racismo". Iniciativa de brasileiros radicados na Alemanha, a comunidade já conta com participação de brasileiros e alemães de todos os lugares, que procuram dados e informações sobre o assunto. A comunidade diz em sua descrição estar voltada contra o ódio racista e alerta para muitos brasileiros que estarão indo à copa sem ter idéia do que se passa ou da existência de No-Go-Areas. Andrea Tonks, brasileira radicada na Alemanha, fundadora e moderadora da comunidade, diz que a idéia é informar e denunciar a xenofobia, com informações constantes e variadas sobre o tema. "A comunidade não é contra os alemães, porque os alemães estão da mesma forma indignados com os acontecimentos", alerta Andrea, para completar: "Os neonazis não são um problema só para os estrangeiros. São também para os alemães que tanto sofreram com esse estigma e tanto lutam contra essa imagem". A menos de duas semanas do primeiro jogo da seleção brasileira, a melhor resposta que o time do país com maior mistura de raças pode dar aos xenófobos e racistas é uma só: Vitórias. Assine você também nossos News |
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