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Suiça: O indiscreto charme da xenofobia08/10/2007 ![]() A festa estava pronta na tarde do último sábado, em Berna, capital suiça. O palanque do Partido Popular Suiço (SVP), maior partido de direita do país, membro majoritário da coalizão de governo, teria, entre suas estrelas, os ministros Christoph Blocher, da Justiça, e Samuel Schmid, da Defesa. Mais de 10 mil pessoas participavam da passeata a caminho do centro da manifestação, na Bundesplatz, a pomposa Praça do Parlamento, reinaugurada em 2004, após um milionário projeto de revitalização sob o tema: Pedra, Luz e Água. Pelo menos pedra foi o que não faltou quando, de repente, começaram a surgir, vestidos e mascarados de preto, centenas de anti-manifestantes, provocando a maior batalha de rua já vista na metrópole alpina. O saldo é de dezenas de feridos, entre manifestantes dos dois lados e policiais. Os mascarados estão sendo alinhados à ala da esquerda autônoma suiça e o confronto é mais um episódio de uma campanha eleitoral que tem gerado críticas até mesmo do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Não apenas a campanha do SVP tem sido marcada por polêmica. Iniciativas, como o projeto de lei para a proibição de construção de mesquitas e minaretos no país, têm recebido críticas internacionais e comparações à Alemanha Nazista, que proibia a construção de sinagogas. O arsenal de campanha utilizado pelo partido vai de outdoors de rua a filmes na internet, tendo sempre como alvo os imigrantes que vivem no país. O partido chegou a utilizar cenas montadas de violência praticadas por jovens da cena hip-hop, para acentuar o medo na população. O video foi tirado de circulação após medida judicial, quando advogados dos jovens denunciaram a manipulação: Os produtores do filme contrataram os jovens sob o argumento de realizar um vídeo de prevenção à violência. Entre cartazes, que vão de montagens, como o que apresenta uma multidão de mulçumanos à frente do parlamento, debruçados em posição de oração na direção de Meca e os dizeres: "Use a cabeça!", ao mais recente, tendo como motivo uma ovelha negra sendo expulsa a coiçadas do país por outras brancas e o texto: "Pela expulsão de estrangeiros criminosos. Criar Segurança", o partido tem centrado fogo em temas populistas, mas de grande apelo eleitoral, como a criminalidade entre estrangeiros, a violência entre jovens, abusos no sistema de assistência social e jargões contra uma possivel participação da Suiça na União Européia. A batalha campal ocorrida sábado deverá agora contar pontos para o partido, estima o polítólogo suiço Georg Lutz em entrevista ao local Tagesanzeiger - "Agora o SVP irá se apresentar como vítima", disse ele. De fato, em nota divulgada em sua homepage o SVP responsabiliza "a esquerda de destruir a democracia". O site mostra ainda momentos da passeata e trechos do confronto. Políticos sociais-democratas, verdes e proeminentes oposicionistas, contudo, já se distanciaram publicamente dos responsáveis pela quebradeira. O protesto foi organizado por um grupo anti-SVP autodenominado "Ovelhas Negras", nome adotado como resposta ao criticado cartaz de campanha do partido. As eleições nacionais estão programadas para o próximo dia 21. Entre os eleitores estão habilitados ao voto, ironicamente, 650 mil suiços que moram no exterior e, portanto, vivem como imigrantes. Há entre eles também candidatos. A legislação suiça permite candidatura de cidadãos residentes fora do país. Cerca de 10% dos suiços vivem no exterior, espalhados nos cinco continentes. Enquanto isso, continua no ar a homepage do grupo "Ovelhas Negras", acusado de comandar a confusão nas ruas de Berna. Na última atualização, sábado, às 17:20 de ontem, o grupo anunciava que a grande festa de mobilização contra o SVP foi iniciada. Ao mesmo tempo convocava os demais partidos legais do país a afastar-se decididamente do SVP e assumir ativa resistência contra racismo e demagogia. A nota é assinada pelo comitê "Ovelha Negra". A organização usa recursos de RSS para se comunicar, e dispõe, no site, o número de uma conta bancária, para possiveis doações financeiras. Em resposta a e-mail do ABKnet, um dos responsáveis pelo site, mantendo-se anônimo, não foi concreto sobre sua participação direta na manifestação, esclarecendo que o grupo promovia uma festa nas proximidades do comício do SVP. Pelo menos até o dia 21 de outubro próximo, o noticiário poderá trazer outras manchetes destas estranhas festas na Suiça bem como, do lado do SVP, novas criações xenófobas: O partido é favorito nas pesquisas. A xenofobia deve ter um charme que atrai os suiços. A festa parece mesmo que vai continuar. |
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